Adriana Mesquita
Da Assessoria de Comunicação do HUB
Uma equipe de profissionais e alunos do Hospital Universitário de Brasília elaborou bulas em linguagem de fácil compreensão e colocou à disposição dos usuários de remédios. Além de expor uma comunicação simples e clara, os autores desenvolveram inovações, como o uso de cores para estabelecer associação entre a gravidade da situação e as placas de sinalização de trânsito.
Da Assessoria de Comunicação do HUB
Uma equipe de profissionais e alunos do Hospital Universitário de Brasília elaborou bulas em linguagem de fácil compreensão e colocou à disposição dos usuários de remédios. Além de expor uma comunicação simples e clara, os autores desenvolveram inovações, como o uso de cores para estabelecer associação entre a gravidade da situação e as placas de sinalização de trânsito.
Disponíveis desde junho de 2011, as bulas de gravidez e lactação e de cardiologia descrevem, de um modo simples e objetivo, como e em quais situações se deve usar o remédio e informam sobre alterações que podem acontecer com o usuário. Além disso, trazem advertências e cuidados a respeito do modo correto de preparo, manuseio e aplicação desses medicamentos.
O modelo começou a ser elaborado em 2009, após a publicação da RDC 47/09 que regulamentou novas regras de elaboração das bulas para facilitar a compreensão dos usuários. As orientações são destinadas aos pacientes e profissionais de saúde do HUB.
Segundo Patrícia Medeiros, professora de Farmacologia da UnB e umas das coordenadoras da iniciativa, o material é semelhante às bulas comuns, com identificação do medicamento e informações ao paciente. No entanto, a novidade é o uso de cores."Lançamos mão de ilustrações, comparando o conteúdo da bula com as informações do semáforo de trânsito, sendo contraindicado a cor vermelha, precaução a cor amarela e a cor verde medicamento com menos restrições terapêuticas".
Disponível na internet, o novo material informativo traz ainda um tópico de como entender a bula, do que fazer quando o paciente esquece de tomar a medicação. Ao final de cada bula há um link que possibilita a impressão deste documento.
As bulas foram validadas com os pacientes da Clínica Médica do HUB, durante um ano, até que se atingisse uma linguagem acessível a todos os níveis culturais. “Notamos que as pessoas tinham certa dificuldade em compreender as bulas tradicionais; então tivemos a idéia de desenvolve-las com a participação dos pacientes para facilitar o entendimento de todos”, explica Patrícia Medeiros.
Ela lembra que existem dois tipos de bulas e que por isso pode haver o mesmo medicamento nas duas publicações. É o caso do losartana (remédio para o tratamento de pressão alta, insuficiência do coração e proteção dos rins de pacientes diabéticos que possuem perda de proteína na urina). “O objetivo não é promover a automedicação, e sim entendimento claro de cada subitem composto na bula essencialmente técnica”, observa a professora.
Alessandra Menezes, docente da Farmácia Clínica do HUB, que também participou da elaboração, destaca a importância da clareza das bulas para um tratamento bem-sucedido: “O paciente bem informado tende a utilizar os medicamentos corretamente, porque conhece suas necessidades e os riscos do não-tratamento. Além disso, ele próprio pode monitorar se o remédio está promovendo os efeitos desejados pelo médico, ou não”.
Além das professoras, o cardiologista Hervaldo Sampaio Carvalho, o ginecologista Antônio Rodrigues e o chefe do Centro de Ginecologia e Obstetrícia do HUB, Alberto Carlos Moreno Zaconeta, também são responsáveis pela concepção e produção do material.
As bulas são distribuídas aos pacientes pelos médicos do HUB, após receberem alta do hospital, e podem ser encontradas nos sites http://fs.unb.br/bula/ e http://fs.unb.br/bulasdecardiologia.
RDC 47/09
Publicada em setembro de 2009 pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a resolução estabelece novas regras para as bulas de medicamentos no Brasil. Dentre as determinações previstas está o uso de linguagem de fácil acessibilidade, clareza nas informações, aumento no tamanho da letra e conteúdos padronizados.
Durante o primeiro semestre de 2010, as primeiras bulas começaram a ser adequadas às novas determinações. Até fevereiro deste ano, duzentas e duas bulas de medicamentos comercializados no Brasil já haviam sido aprovadas e publicadas no Bulário Eletrônico.
A primeira resolução a tratar de mudanças tanto no tipo de linguagem quanto na formatação da bula foi a RDC n°. 140, de 29 de maio de 2003, que regulamentou e dividiu esta orientação em dois tipos: para paciente e profissional de saúde.
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