Por Adriana Mesquita
Dr. Wilson Valente da Silva é médico voluntário no Hospital Universitário de Brasília e se esforça para melhorar o atendimento aos pacientes e oferecer material didático para profissionais e estudantes das áreas de saúde. Dr. Valente passa a maior parte do seu tempo realizando trabalhos HUB.
Em 19 de Maio de 1926 nascia o menino que, 85 anos depois, dedicaria parte de sua vida para fazer um dos mais belos atos de solidariedade do ser humano: o trabalho voluntário. Coincidência ou não, como o próprio nome sugestiona, a valentia e determinação do paulistano fizeram com que ele fosse aprovado no vestibular para o curso de medicina numa das mais conceituadas instituições de ensino superior do país, a Universidade de São Paulo (USP). Ali Dr. Valente começou a se destacar. Por gostar de crianças e não se interessar por cirurgias, se especializou em pediatra.
Dr. Valente fez residência no Hospital das Clínicas de São Paulo. Foi tão dedicado que, pouco tempo depois conquistou, por mérito, a chefia de um importante serviço da instituição. Suas vitórias não parariam por aí e o pediatra se tornou um dos donos do primeiro hospital infantil particular de São Paulo.
Casado há mais de 50 anos com a paulista Fanny Ribeiro da Silva, com quem tem quatro filhos, Dr. Valente se mudou com a família para Brasília em 1975, época em que começou a ministrar aula na Universidade de Brasília como professor de pediatria do curso de medicina.
Há 16 anos se aposentou e decidiu dar continuidade ao trabalho, desta vez, sem remuneração. Dr. Valente agora trabalha no laboratório do HUB. Os esforços do presente são para montar um “Arquivo de Lâminas de Hematologia” destinado a médicos, professores e alunos para que tenham material para estudo.
O trabalho para o arquivamento acontece há dois anos e é feito para facilitar o diagnóstico de doenças relacionadas ao sangue como leucemias e anemias, entre outras. “Eu vi a necessidade de lâminas para estudo e trabalhos no laboratório do hospital. Esse serviço pode ajudar muito nas consultas das crianças”, ressalta Dr. Valente.
Além de pesquisas, o médico também auxilia os colegas com sua experiência profissional. “Eu ainda dou orientações para meus colegas com tudo que aprendi”.
Bem vívido, o pediatra acredita que os anos destruíram o vínculo afetivo que havia entre médicos e pacientes. “Antigamente era comum assumir o doente. Hoje, ele (o paciente) não sabe mais nem o nome do médico que o atende. Não existe mais vínculo afetivo. Se existe, é pouco”. Dr. Valente faz outra constatação: “O nível do profissional de hoje é bem inferior ao do passado”.
Além das atividades desenvolvidas no HUB, o médico aposentado sonha em ajudar ainda mais. Ele e mais 16 médicos trabalham em um projeto que visa abrigar 50 idosos. “Estamos estruturando uma fazenda que ganhamos para cuidar dos velhinhos”.
Optando por ajudar alunos, médicos e idosos, Valente dá uma verdadeira lição – não aquela aprendida em sala de aula – mas essas refletidas a partir de gestos de coragem e imenso altruísmo.
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