terça-feira, 28 de junho de 2011

Programa do HUB melhora qualidade de vida de crianças obesas

Adriana Mesquita
Da Assessoria de Comunicação do HUB

Tatiely dos Santos Souza começou a ganhar peso aos cincos anos de idade. Hoje, com 11 anos, pesa 79 quilos, com Índice de Massa Corporal (IMC) considerado acima do normal, caracterizando a obesidade mórbida. A menina, que afirma sofrer insultos do próprio irmão, é só mais uma nas tristes estatísticas da população infanto-juvenil que apresenta excesso de peso. Estudos mostram que uma em cada dez crianças em todo o mundo é obesa. No Brasil, esse percentual é de cerca de 7% da população.

Paciente do HUB, Tatiely participa de um dos grupos de conscientização sobre hábitos alimentares desde 2010. Eliane dos Santos, mãe da menor, a acompanha e já aponta melhoras. “Em termos de obesidade, ela tem altos e baixos, mas está mais calma”.

A auxiliar de serviços tem três filhos e só Tatiely apresenta obesidade. No entanto, tios da menina também são obesos. Eliane elogia o programa do HUB e garante que os hábitos alimentares têm melhorado em casa. “As palestras são ótimas. Agora eu estou trabalhando com uma alimentação mais saudável para a família toda”, diz ela.

Reeducação
O programa acontece há mais de 9 anos no HUB, gira em torno da reeducação alimentar e incluiu maior oferta de frutas e vegetais nas refeições para baixar os índices de obesidade infantil. As palestras são coordenadas pela pediatra Cátia Barbosa da Cruz e atendem crianças com obesidade mórbida ou severa. Os grupos são divididos por faixa etária e constituídos, em média, por até 10 crianças.

Devido à grande procura, o serviço passou por uma mudança há dois anos. “Agora, quem participa só tem direito a faltar duas vezes por ano. Do contrário, acontece o desligamento, já que no grupo eles têm alta em até dois anos”, ressalta a médica. Cátia reconhece que não é fácil para essas crianças emagrecerem: “As chances são poucas, porque quem sofre de obesidade mórbida geralmente tem dificuldade de perder peso”. A pediatra diz que o aumento da procura vem sendo registrado desde início do programa. “A procura é grande e não estamos mais conseguindo atender à demanda”.

A obesidade está relacionada a diversos problemas de saúde e compromete o bem estar, colocando a vida em risco. Os pacientes podem desenvolver diabetes, doenças cardíacas, trombose venosa, hipertensão arterial, depressão, além de problemas sociais e psicólogos. A doença não só piora a qualidade, como também reduz em 20% o tempo de vida do obeso. A obesidade mórbida ocorre quando o peso de uma pessoa ultrapassa o valor 40 no Índice de Massa Corporal.

“Pesamos mensalmente os pacientes. A partir daí, a gente vai avaliando. Tem os que perdem, os que ganham e aqueles que mantêm o peso”, diz Fernanda Sousa Cardoso Lopes, médica residente responsável pelas palestras do programa. Ela afirma que em 99% dos casos os pais são obesos. “Geralmente a família tem um adulto que é gordo, então tenho que tratar a criança e orientar os pais também para um melhor resultado. É uma troca de experiências: eles dão opinião, apontam dificuldades e soluções que podem servir de exemplos para outros pais”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário