Especialista alerta sobre os riscos da doença que ataca principalmente o sexo feminino
Por: Adriana Mesquita
Ganho de peso, pele seca e áspera, depressão, intolerância ao frio, queda de cabelo, unhas fracas e cansaço podem ser sinais de hipotireoidismo. A doença mais comum da tireóide ocorre com maior frequencia em mulheres, especialmente com mais idade, e pode atingir vários membros de uma família.
Sônia Ferreira Vieira, 44, descobriu que tinha hipotireoidismo há dez anos. O diagnóstico foi inesperado porque não havia sintomas nem suspeitas da doença. “Foi durante uma campanha sobre a tireóide, que eu resolvi participar, ai me falaram que eu tinha a doença, mas eu não sentia nada, apenas notava que meu cabelo caia muito e minhas unhas estavam quebradiças” conta Sônia. Exames constataram que a dona de casa tinha três nódulos no pescoço provocados pelo mau funcionamento da glândula responsável pelo regulamento do metabolismo do organismo, a tireóide. Depois de encaminhada ao médico, Sônia Ferreira, que estava grávida, teve que esperar mais alguns meses até que a filha nascesse. Quatro meses após o nascimento da filha, ela passou pela primeira cirurgia para a retirada da glândula e dos nódulos. Em 2003 outro diagnostico acusou a presença de um câncer ainda em estágio inicial, foi quando a moradora de Samambaia teve que passar pela segunda cirurgia e dois anos depois pela última. Hoje, Sônia Ferreira toma remédio para o controle da doença. “ Só tomo um comprimido por dia. É ruim, mas já estou acostumada”, diz ela. A filha Camila Cristina, de 17 anos também tem a doença e assim com a mãe, precisa do medicamento.
A doença, causada quando os níveis de hormônios tireoidianos (T3 e T4) se tornam anormalmente baixos, pode se manifestar desde recém-nascidos até adultos. Em recém-nascidos, doenças e os medicamentos utilizados pela mãe podem interferir no funcionamento da glândula do filho, que, se não receber tratamento adequado até a quarta semana de vida, pode ocorrer retardo mental severo, surdez, e retardo no desenvolvimento de peso e altura. Nesse caso, o hipotireoidismo é diagnosticado através do teste do pezinho, e pode ser prevenido pelo tratamento precoce da mãe com a reposição de hormônio tireoidiano.
Já nos adultos, a causa mais comum da doença é um distúrbio chamado tireoidite de Hashimoto, ou simplesmente doença de Hashimoto, no qual o sistema imunológico ataca a glândula tireóide que compromete a capacidade de produção de hormônios tireoidianos. O diagnóstico é feito quando o paciente apresenta hormônio estimulante da tireóide (TSH) aumentado e hormônios tireoidiano T4 baixo no sangue. Outro exame que pode trazer alguma informação é a dosagem de anticorpos contra a tireóide, que geralmente estão aumentados quando a causa de hipotireodismo é a doença de Hashimoto.
De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional do DF (SBEM-DF), Monalisa Ferreira Azevedo, um estudo realizado em São Paulo estima que 19% da população brasileira tem hipotireoidismo, Segundo ela, o diagnóstico e o tratamento são simples, mas, na maioria dos casos, a doença é irreversível. “Geralmente, ela é para toda vida, mas o paciente só precisa tomar um comprimido ao dia”, explica a médica. Monalisa faz uma alerta “Se o hipotireoidismo não for tratado corretamente, ele pode trazer riscos como aumentos da pressão e de colesterol, o que predispõe também maiores chances de acidentes cardiovasculares”.
O hipotireoidismo pode ser causado também pelo uso de iodo radioativo ou a cirurgia em tratamentos médicos. Alguns casos podem ser prevenidos através de cirurgia adequada no momento em que a mesma é indicada para o tratamento de bócio.
O tratamento é feito com o uso diário de levotiroxina, que recompõe a dose de hormônio necessária para o corpo. A dose depende de cada situação e deve ser prescrita pelo médico. “Com esta recomposição, uma pessoa pode levar a vida normal”, lembra Luiz Augusto Casulari. Para o médico endocrinologista, os avanços da medicina proporcionam um teste rápido e confiável, o que permite um diagnóstico ainda na fase inicial da doença, mas os pacientes acabam dificultando o tratamento “o diagnóstico está mais fácil, o remédio só tem que ser tomado em jejum, e o que acontece é que muitas vezes, a pessoa até esquece de tomar”, observa ele.
De acordo com os médicos, o medicamento não tem contra-indicação nem efeito colateral. Em todos os casos, a recomendação é que o paciente seja acompanhado regularmente por um médico, com exames de TSH e ajuste da dose da medicação, se necessário.
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